MAMULENGO: PATRIMÔNIO IMATERIAL BRASILEIRO

Mamulengo, joão-redondo, casimira-coco, babau, briguela. Em 2015, o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste foi tombado pelo Iphan. Reconhecido como Patrimônio Imaterial Brasileiro. Para Lina Rosa Vieira, idealizadora e curadora do Sesi Bonecos do Mundo, os mestres tradicionais mamulengueiros e suas brincadeiras representam bens culturais de dimensão mundial. Patrimônio Cultural da Humanidade. Um dia serão considerados assim.

Em 2018, o festival tem a alegria e a honra de dedicar sua edição ao Mamulengo: Patrimônio Imaterial Brasileiro. Dentro da programação, a exposição homônima e de caráter museográfico é uma das mais relevantes homenagens. Nela, é apresentado o precioso acervo da maior colecionadora de bonecos populares da América Latina: Magda Modesto, uma das mais importantes pesquisadoras do teatro de títeres do Brasil. 86 anos de vida dedicados às marionetes e às suas expressões artísticas. Falecida em 2011, Magda deixou um legado material e imaterial incalculável. Formou sua coleção a partir das vivências com mestres de todas as partes do mundo. Na exposição, que passa por Fortaleza e João Pessoa, apresentamos cerca de 300 dessas relíquias, com suas respectivas identificações e contextualizações no tempo e no espaço. Raridades dos acervos particulares de mestres mamulengueiros ainda vivos também podem ser apreciadas. A curadoria e a montagem têm a assinatura de Cica Modesto, expressiva cenógrafa, arquiteta e filha de Magda.


Realizar a exposição Mamulengo: Patrimônio Imaterial Brasileiro, com a excelência de suas peças e de seus sentidos histórico e estético, é nossa delicada maneira de dizer ao boneco popular brasileiro: muito obrigada.
Magda Modesto – em memória
Autodidata, Magda Modesto dedicou toda a sua existência ao engrandecimento do teatro de animação nas suas mais variadas correntes e técnicas. A interpretação foi fundamental no esforço coletivo para que essa expressão artística ocupasse um lugar de respeito, dentro e fora do Brasil, e fosse reconhecida como expressão da cultura brasileira.
Dedicada colecionadora de material sobre essa forma de arte, Magda foi ainda uma das fundadoras da Associação Brasileira de Teatro de Bonecos (ABTB), em 1973; da Associação Rio Teatro de Bonecos (ARTB), em 1984; de diversos outros movimentos artísticos que incluíam bonecos; e também foi membro da Union Internationale de la Marionnette (UNIMA). Foi incansável a sua luta para a formação de mais de 90% dos artistas e grupos em atuação no Brasil. Entre eles, estão os grupos Navegando, Sobrevento, Giramundo, Cia. Pequod e Caixa de Elefante.


Foi ativista do movimento de reconhecimento do mamulengo como patrimônio cultural e elemento diferencial da nacionalidade brasileira. Participou e protagonizou diversos congressos, seminários, cursos e festivais, dentro e fora do País. Recebeu, com menção de destaque, o reconhecido Prêmio Zilka Sallaberry de Teatro Infantil, do Centro de Pesquisa e Estudo do Teatro Infantil (Cepetin).
Foi orientadora e amiga da primeira doutora brasileira em Artes Cênicas de Teatro de Animação, pela USP, Ana Maria Amaral. Militou pela causa do teatro de bonecos com Álvaro Apocalypse, Carmosina Araújo, Maria Mazetti, Virgínia Valli, Nini Beltrame, Cacá Sena, entre inúmeros outros artistas e educadores de arte.